amigos
Ainda no post atrás falava de um amigo que não podia ler o blog e de facto tenho cada vez mais consciência que isso não pode acontecer de modo algum.
Ontem, ainda no rescaldo do Carnaval, conversava com dois amigos meus, trocando episódios sobre as festas a que tínhamos ido. O assunto acabou por ir parar, como tantas vezes acontece, à homossexualidade. Pelos vistos um professor de danças de salão da escola que um dos meus amigos frequenta é gay. Ora daqui em diante a conversa desenvolveu-se bastante desde dizer que abandonaria a turma se o professor fosse esse até referir-se a ele por todos os possíveis rótulos (maricas, panasca, paneleiro, rabeta, e não me lembro de mais no momento), nunca tendo conseguido simplesmente dizer homossexual ou gay. Confesso que me custou ouvir muita coisa, e várias intervenções minhas na conversa foram na tentativa de normalizar as coisas, mostrar que não há que ter medos, preconceitos. No entanto, pensava sempre que podiam a certo ponto desconfiar e ver alguma argumentação minha que denotasse ofensa pessoal. Por isso, assim que entendi retirei-me da conversa, como sempre faço nestas situações, com a vontade enorme de dizer: eu sou gay. É claro que nunca o ia fazer, mas a reacção deles seria algo que eu gostaria de ver.
Custa-me até em determinado sentido estar a escrever isto. Parece que estou a dar uma péssima imagem de um amigo meu, que eu considero impecável a todos os níveis. Quase só consigo ver boas coisas nele, os defeitos que lhe encontro são pormenores, e sempre nos demos muito bem. Mas quando chega a estes assuntos, é sempre a mesma coisa que encontro: irredutibilidade, gozo, inaceitação.
Confesso que para mim é complicado fazer a gestão destes sentimentos, próximos pela amizade, distantes por outros motivos. Sempre foi.
Ontem, ainda no rescaldo do Carnaval, conversava com dois amigos meus, trocando episódios sobre as festas a que tínhamos ido. O assunto acabou por ir parar, como tantas vezes acontece, à homossexualidade. Pelos vistos um professor de danças de salão da escola que um dos meus amigos frequenta é gay. Ora daqui em diante a conversa desenvolveu-se bastante desde dizer que abandonaria a turma se o professor fosse esse até referir-se a ele por todos os possíveis rótulos (maricas, panasca, paneleiro, rabeta, e não me lembro de mais no momento), nunca tendo conseguido simplesmente dizer homossexual ou gay. Confesso que me custou ouvir muita coisa, e várias intervenções minhas na conversa foram na tentativa de normalizar as coisas, mostrar que não há que ter medos, preconceitos. No entanto, pensava sempre que podiam a certo ponto desconfiar e ver alguma argumentação minha que denotasse ofensa pessoal. Por isso, assim que entendi retirei-me da conversa, como sempre faço nestas situações, com a vontade enorme de dizer: eu sou gay. É claro que nunca o ia fazer, mas a reacção deles seria algo que eu gostaria de ver.
Custa-me até em determinado sentido estar a escrever isto. Parece que estou a dar uma péssima imagem de um amigo meu, que eu considero impecável a todos os níveis. Quase só consigo ver boas coisas nele, os defeitos que lhe encontro são pormenores, e sempre nos demos muito bem. Mas quando chega a estes assuntos, é sempre a mesma coisa que encontro: irredutibilidade, gozo, inaceitação.
Confesso que para mim é complicado fazer a gestão destes sentimentos, próximos pela amizade, distantes por outros motivos. Sempre foi.
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12 Comentários:
Há pais que põem os filhos fora de casa por serem homossexuais. Que não farão a um estranho? O preconceito é tão forte, está tão enraizado, que suprime toda a racionalidade.
É triste, mas é assim mesmo. Por mim, não consigo mais calar-me. Se dizem algo contra a homossexualidade, pago o preço que tiver de pagar, mas defendo as minhas ideias. Senão, sinto-me como quem se calou no tempo do nazismo. Mas, claro, custou-me até chegar aqui.
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/me, at
02 março, 2006 10:09
E escrevi um post no meu blog, motivado por este.
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/me, at
02 março, 2006 12:20
Compreendo-te DCG, nem imaginas como. E depois, parece que no Porto as coisas conseguem ser ainda mais difíceis do que a Sul, embora pense que, genericamente, o preconceito vá campeando um pouco por todo o lado. Há muita confusão na cabeça dos portugueses (há em todo lado, claro) e muita discriminação assente no acessório, no superficial. Um homo que não se manifeste e nem às paredes confesse, ultrapassa mais facilmente as hipóteses de rejeição. Isto faz enfrentar um pouco o fantasma da dignidade: é-se tratado dignamente quando não se torna pública a opção sexual. Mas há alguma dignidade em esconder-se toda a vida?
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Anónimo, at
02 março, 2006 13:33
Palavras?Não tenho...tenho sim um "ódio" pelos que não aceitam as diferenças...sejam elas quais forem...
Jinhos
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Maria Clarinda, at
02 março, 2006 18:44
Costumo vir ler-te.
Percebo perfeitamente as tuas dúvidas sobre a forma como alguns dos teus amigos iriam reagir se soubessem que és homosexual.
Mas o facto é que se as pessoas não nos conhecem não podemos considerar que sejam nossas amigas. Serão amigas de um ser imaginário que tem o nosso corpo.
Amizade implica aceitação.
Por outro lado eu que sou heterosexual não ando por aí a dizer o que sou.
Ou seja. Ninguém tem nada a ver com as opções sexuais de cada um.
Não te sintas diferente duma forma depreciativa. Como pessoa penso que deves ser excelente, amigo dos teus amigos. Isso é que conta.
Tens de sentir-te até superior por teres aceite a tua diferença.
Força. Não te deixes abater pelos preconceitos absurdos da sociedade.
Sei do que falo.
Um beijo
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escrevi, at
02 março, 2006 19:35
Cada vez mais para mim os amigos são aqueles que realmente me conhecem, tudo o resto são conhecidos aos quais considero que não tenho de dar nada sobre o que eu sinto, Vivo!
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Jotinha, at
02 março, 2006 20:25
O caso que tu relatas tem para mim um nome muito simples - intolerância!
A questão que coloco é se um ser humano pode ser intolerante apenas relativamente a um aspecto específico - no caso que relatas a intolerância contra uma opção sexual diferente.
Será o caso desse teu amigo?
Ou será que a tua amizade por ele só te permite "reagir" nesta situação?
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Tongzhi, at
02 março, 2006 21:24
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
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/b/, at
03 março, 2006 00:02
Da minha experiência, os amigos arrependem-se de todos os comentários que fizeram neste campo quando ouvem a 'revelação das revelações'. Mesmo as pessoas mais tolerantes às vezes fazem comentários homofóbicos (até nos fazemos...) e comigo foi ver pessoas assim pedirem desculpa por esses comentários. Por falar nisso, vou falar (you know what I mean :P) com o amigo mais homofóbico que tenho no decorrer desta semana. Acho que as minhas conversas o ajudaram a suavizar a sua posição mas mesmo assim claro que estou expectante...
Abraço
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/b/, at
03 março, 2006 00:04
dapster, boa sorte!
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/me, at
03 março, 2006 10:09
/me, o problema é precisamente a irracionalidade. Somos também animais e portanto não somos racionais em tudo, feliz ou infelizmente.
Catatau, concordo contigo! O Porto será sempre o Porto, para o melhor e para o pior...
big zz, é verdade! e só vir escrever aqui já ajuda!
maria clarinda, obrigado pelo comment! Vamos aguardando que as diferenças se esfumem.
escrevi, obrigado por me vires ler! E pelos elogios e apoio também!
jotinha, o teu comentário tocou-me imenso. Dá muito que pensar!
tongzhi, acredito que a intolerância é mesmo só neste caso. Mas é certo que nunca se conhece ninguém na totalidade!
bear_cave, estou tentando! Abraço.
dapster, boa sorte nessa "aventura" e depois manda novidades!
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dcg, at
03 março, 2006 11:18
como te entendo, mas algumas lições se tiram do que escreveste. um verdadeiro amigo, e se é assim tão impecavel, entenderia isso.
eu próprio, actualmente, so consigo ter amigo, e entender por amigos, que entenda estas coisas como eu, É estranho, mas foi assim que descobri a amizade verdadeira...
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Anónimo, at
04 março, 2006 15:20
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